quinta-feira, 2 de julho de 2015
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Diários de Bordo - Minutos finais de ''A última Hora''
Nosso processo de pós-produção da fotonovela já está quase chegando ao fim. Falta bem pouco para que a nossa história ganha vida e formato. Nesses minutos finais de ''A Última Hora'', vocês vão conhecer como foi para cada integrante da equipe, desempenhar sua determinada função.
AUGUSTO BRASIL: ROTEIRO E DIREÇÃO
Quando proposto o TIDIR
II imediatamente me veio a mente a questão da crise hídrica pela qual estamos
passando. Muito me impressiona que poucas pessoas têm se interessado pelo
assunto, uma vez que sem água nada somos. Por isso escolhi escrever um roteiro
que nos chame para refletir sobre essa questão.
Com o intuito de
provocar essa discussão, procurei criar uma história que causasse impacto, por
isso a situação do êxodo. As pessoas se encontram em um futuro distópico, onde
não há mais volta, a solução mais viável é deixar tudo para trás e procurar
outro lugar para viver.Enquanto escrevíamos
percebemos que a crise hídrica acabou servindo de pano de fundo para discutir
questões éticas e sociais que é claro estão atreladas à crise. O roteiro foi
estruturado de maneira a apresentar esses desafios ao longo da jornada das duas
irmãs. Problemas como os perigos encontrados no meio da estrada, a falta de
água e dilemas sociais foram abordados no roteiro. Todos é claro, oriundos da
crise.
Idealizei a história
com base em filmes como Vidas secas de Nelson Pereira dos Santos. Procurei resgatar esse clima de busca pela sobrevivência. Em um primeiro momento,
havia pensado somente na história, mas ainda não tinha em mente quais seriam os
personagens que passariam por ela. Percebi que todos os outros integrantes do
grupo haviam sugerido temas que tinham como protagonistas mulheres, e crianças
em suas histórias. Notando isso, sugeri que as protagonistas de nossa história
fossem duas irmãs. Como diretor e
roteirista estreante descobri na prática o quão difícil são essas tarefas. Nem
tudo o que idealizamos na hora em que escrevemos ou planejamos uma cena, pode
ser executado quando chegamos a campo. É nesse momento que temos que ter jogo
de cintura para driblar os imprevistos, e flexibilidade para aceitarmos ideias
diferentes daquelas concebidas originalmente. Concluo dizendo que
realizar essa fotonovela foi um grande desafio. Em primeiro lugar por estar
estreando nessas duas funções, e em segundo por se tratar de um formato que não
estou habituado a lidar. O mais próximo de uma fotonovela que tive contato
foram os quadrinhos japoneses conhecidos como mangá. Muito pude aprender com
esse trabalho interdisciplinar.
HIGOR GOMES: DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Enquanto o roteirista, Augusto,
finalizava o roteiro, fomos fazer algumas visitas de set. Foram escolhidas as
locações na cidade de Igarapé. Um dos diretores morou, e conhece muito bem a
cidade, que tem uma aparência rural, ótima para o enredo da fotonovela. Fizemos
esta visita de locação no dia 03 de maio. Fomos de carro, guiados por um dos
diretores, o Zenner, que nos mostrou vários lugares bacanas em Igarapé. Não
podíamos ter encontrado um lugar melhor. Neste dia olhamos com calma as
residências e estradas em que nossas protagonistas passam boa parte da
fotonovela. Além de conhecer as locações, decidimos que seriam necessários
apenas 1 dia para fotografarmos todo o projeto. Iriamos cedo para usarmos o
máximo de tempo a luz do sol. Pois, a maioria das cenas eram externas e a
presença da luz do sol forte foi muito necessária para dar uma sensação de
calor e desespero ao imaginarmos que as personagens não possuíam muita água. Ao
termos o primeiro tratamento do roteiro, foi necessária uma decupagem. Junto
aos diretores, decidimos fazer um fotoboard, ao invés de um storyboard. O
fotoboard foi feito nos arredores da faculdade e no Parque Municipal, com
membros da equipe. Fizemos metade em um dia que tivemos um horário vago, o
restante foi produzido em um final de semana, no parque. Após o processo de
pré-produção, foi agendado com todos que as fotografias seriam tiradas no dia
24 de maio, e assim aconteceu. Fomos para Igarapé, desta vez toda a equipe e
também levando as atrizes. Uma parte da equipe foi de carro com as atrizes e a
outra parte seguiu viagem de metro e van. Não usamos luz artificial em nenhuma
das fotos. Foram utilizadas muitas locações distintas, e neste dia conseguimos
produzir 95% das fotos. A luz do sol se foi e para aproveitarmos que estamos
lá, matamos uma noturna que o diretor resolveu fazer para usarmos uma fogueira.
Na semana seguinte, a equipe reduzida seguiu caminho para Igarapé e finalizou
as fotos. O diretor, munido de sua câmera fotografou a sequência restante.
Cerca de 300 fotos foram tiradas.
NÍVIA LABIBE: DIREÇÃO DE ARTE
ZENNER HENRIQUES: DIREÇÃO E DIAGRAMAÇÃO
Após
definido a estética que seria usada nas fotos, o trabalho da direção de arte
iniciou com pesquisa de figurino. Nessas pesquisas não havia referencia de
filmes distópicos brasileiros, o que foi um empecilho para base de nosso
figurino.
Em
conversa com o grupo decidimos qual seria nossa linha de criação para o
figurino. Como o Brasil é um pais tropical e em consideração ao tema do nosso
trabalho, foi acordado entre os integrantes que usaríamos roupas mais leves,
mas que protegiam nossos personagens das mudanças climáticas, do sol e que
fosse confortável em uma caminhada. Mas sem deixar de lado que seria um colapso
social.
A partir
dai, me perguntei: havia produção de roupas? Usaríamos tecidos tecnológicos?
Enfim, como nossa fotonovela se passa em uma área rural e nossas personagens
supostamente não tinham condições financeiras. Optei por roupas envelhecidas,
sujas, proteção pra cabeça (chapéu e bandana), camisas de manga cumprida, por
baixo camisetas, calça jeans, tênis e mochila. As
cores foram definidas a partir do olhar semiótico, que, cores claras remetem ao
bem. Tendo em vista que as cores das fotos seriam manipuladas, não pude usar
três cores: azul, verde, amarelo. Por isso optei pelo branco, salmão, cinza e
preto. Os
objetos de cena como a cruz do tumulo, optamos por utilizar bambu, sendo um
material fácil de encontrar na área rural, novamente levando em consideração
que nossos personagens não teriam recurso pra comprar outro tipo de material.
Os copos e talheres usados foram pensados o que seria mais resistente, por isso
o alumínio. Quanto
a maquiagem não foi necessária, pois queríamos uma aparência natural. O cabelo
não precisou de muita alteração, pensando em que elas estariam sem banho,
caminhando por vários dias. Optamos por cabelos presos. Contudo,
o trabalho da direção de arte foi focado em figurino, levando em consideração
todos os pontos citados acima. Não houve nenhuma restrição as peças escolhidas,
Augusto e Zenner como diretores aprovaram, estando dentro do que eles
imaginaram para os personagens.
E mais uma vez foi
ótimo trabalhar com essa equipe. Temos nossas divergências, mas, sempre nos
entendemos, e o trabalho final sempre fica melhor que o esperado. ZENNER HENRIQUES: DIREÇÃO E DIAGRAMAÇÃO
Já com o roteiro em mãos,
Augusto e eu começamos a pensar nos planos. Pegamos algumas revistas, foto
novela/HQ para servir de inspirações para os planos, e também na
narrativa. No dia 03 de maio fomos
igarapé, cidade onde cresci, para olharmos algumas ideias que tinha em mente
sobre as locações. Mesmo não estando no nível de seca apropriado, tínhamos
espaços rurais e estradas de terra, congruentes com o plano de fundo da
historia. Depois da ida a igarapé,
terminamos por concluir vários planos da historia e também o fotoboard. Fomos
influenciados pelo cenário na criação de outros planos pensados anteriormente
por isso finalizamos parte do roteiro e fotoboard depois que visitamos as
locações. No dia da gravação, 24 de
maio, seguimos para as locações estrategicamente traçadas em um plano de
“filmagem” que continha a ordem do dia o roteiro o fotoboard e um mapa, para
programar melhor a logística das cenas. Tivemos um importuno quando uma das
locações “caiu” (a casa que elas encontram um corpo) tivemos que imediatamente
mudar para outro local, e pensar nos planos que funcionariam naquela casa. Devido a esse atraso, ao
final do dia faltou fotografar uma cena apenas, mas precisávamos de sol para
tal. Então reduzimos a equipe e fotografamos essa sequencia final em outro dia. Após o tratamento das fotos,
foi à vez da diagramação. Se em filmes dizem que é na sala de edição que eles
nascem, em foto novela diria o mesmo. Como fiz parte do processo de direção, tinha
em mente algumas cosias diferentes do que foram na versão final da diagramação.
Nesse processo são integrados vários elementos como os balões de fala, de
narração e a disposição dos quadros. Elementos esses que compõe a narrativa e a
compreensão da foto novela. Na diagramação também foi
pensado o estilo visual dos quadros e balões. A escolha por um fundo mais seco
e as fotos e balões com pontas quebradiças e sujas, fazem parte do visual
pensado no roteiro, direção de arte, figurino e fotografia.
LEANDRO AUGUSTO: DIREÇÃO DE PRODUÇÃO
Quando
escolhemos o tema pensei logo em algo que eu poderia fazer pelo projeto, mas
percebi que os meus colegas tinham ideias mais maduras para que pudessemos ter
o resultado esperado. A partir dessa percepção resolvi escolher a produção. Eu
queria ser aquele que botasse a mão na massa para que eles conseguissem o que
fosse preciso para tudo acontecer da melhor forma possível.
O nosso maior
desafio foi o roteiro, logo usamos muito do nosso tempo para produzí-lo, o que
atrasou um pouco o orçamento do nosso projeto. Ainda assim a primeira coisa que
fiz foi construir uma planilha com a estimativa de todos os gastos e
esclarecimento de dados: Cronograma e funções, preços de alimentação, figurino,
transporte, impressão, informação sobre os atores e equipamentos, para que
pudessemos seguir com os procedimentos.
Estive presente
em quase todas as decisões. Primeiramente, sempre me atualizava sobre o
roteiro, feito pelo Augusto e Gabriel, me certificando de que tudo o que nele
continha fosse acessível. Após a finalização deste, segui com parte da equipe
para análise de planos e locações em Igarapé. Ficamos uma tarde toda decidindo
quais seriam, para que mais tarde eu pudesse fazer um mapeamento e construir o
roteiro de fotografia, o qual seguiriamos no dia de fazer as fotos. Higor ficou
responsável pela Direção de Fotografia, que foi muito bem executada. Gabriel
ficou responsável pelas postagens do blog, que foram feitas com objetividade e
dentro do praso estipulado. Rafael ficou responsável pela pesquisa teórica, a
qual realizou a primeira parte, mas teve que se afastar por motivos pessoais,
sendo substituido na tarefa por mim e Augusto. Zenner e Augusto pela direção
impecável e Nívia pela direção de arte e atores. Houve um atraso dessa função,
o que nos levou a ter que adiar as fotos para uma semana depois da data
prevista. Apesar do incidente, foi bem exercida. Os figurinos foram muito bem
trabalhados dentro do nosso conceito e os atores se encaixaram perfeitamente
dentro dos papeis.
Após termos tudo
pronto, fomos fotografar no Domingo (24 de Junho). Houve uma falha da minha
parte na questão de horários e transporte de alguns membros da equipe, o que
resultou em um atraso de duas horas. O restante da equipe, transportada de
carro pelo Zenner, foi pontual. Não conseguimos fotografar todas as sequências,
pelo atraso do horário, por uma “queda de locação” e perda da luz do sol ao
anoitecer, apesar de termos seguido o roteiro feito e ordem do dia. Decidimos
então voltar no final de semana seguinte, no qual terminamos todo o processo de
captação das imagens.
A pós-produção
foi feita em duas etapas: Primeiro as fotos foram tratadas pelo Augusto e logo
após diagramadas pelo Zenner. Essa etapa levou um pouco mais de tempo do que o
esperado, mas foi realizada com muita dedicação.
Como continuamos
com a mesma equipe do semestre passado, senti um amadurecimento em cada um nela
presente. Fizemos um ótimo trabalho, até melhor do que esperávamos, mas aponto
que precisamos de mais organização! Ser Diretor de Produção foi um desafio. Não
fiquei cem por cento satisfeito com o meu trabalho, mas sinto que consegui
guiar o trabalho em uma direção na qual ele funcionasse e, de fato, funcionou.
Queria finalizar
o relatório agradecendo a participação do Rafael em nosso trabalho, que fez o
possível para que sua função fosse bem realizada. O trabalho leva seu nome e
sua dedicação, portanto não esqueceremos disso. Agradeço também ao Zenner pela
total parceria na produção, que nos guiou todo o tempo dentro de Igarapé e foi
responsável pelo transporte de parte da equipe e do elenco de Belo Horizonte
até as locações. Muito obrigado! Aos atores e atrizes que toparam fazer parte
do nosso projeto e deram um show de atuação nas fotos. Não poderia ser melhor
sem eles. Muito obrigado! E por último, porém não menos importante, aos pais do
Zenner, Jair e Nilce, por providenciarem um maravilhoso café da manhã e almoço para
nossa equipe. Nosso trabalho também é de vocês, para vocês. Mais uma vez o meu
muito obrigado!
GABRIEL FELIPE: AUXILIO NO ROTEIRO E MÍDIA SOCIAL
A partir do momento em que foram designadas as funções de
cada membro de equipe, optei por auxiliar o Augusto Brasil na elaboração do
roteiro e por ser responsável por todo conteúdo disponibilizado no blog ‘’A
Última Hora’’. A tarefa mais difícil no processo do roteiro foi chegar a comum
acordo sobre o que de fato conduziria a história. A crise hídrica passou a ser
pano de fundo para o drama e o conflito em si passou a ser a questão moral
sobre as personagens. Foram várias as tentativas, até chegarmos à versão final,
assinada por Augusto Brasil. Antes mesmo que o roteiro estivesse pronto, já
havia iniciado o trabalho de mídia social no blog, tanto que o mesmo passou por
alteração de nome quando de fato decidimos o título da fotonovela. Além as
postagens pedidas pela orientadora Nelma, optei por desenvolver um conteúdo
extra, mais leve e informal, que pudesse registrar essa nossa experiência de
maneira gostosa de ler. Consegui concluir todas as postagens dentro do prazo
estipulado, e sempre que possível, soltava uma nota sobre os bastidores da
produção. Foi uma tarefa que gostei de ter feito, me senti tranquilo quanto ao
conteúdo a ser postado, sempre da maneira mais descontraída possível. Espero
ter concluído essa missão com êxito, o blog continuará disponibilizado para que
sirva de recordação e também registro do nosso Tidir.
-
Finalizo essa postagem agradecendo a todos os envolvidos nesse Tidir, que de alguma forma nos ajudaram e apoiaram para que esse trabalho fosse concluído. Gostaria de agradecer também ao companheiro Rafael da Cruz Cola, que infelizmente por motivos pessoais teve de deixar o curso, mas que durante o tempo que esteve presente, ajudou de forma ativa durante o Tidir e também na parte escrita do trabalho.
MUITO OBRIGADO!
domingo, 17 de maio de 2015
Processos da construção da fotonovela
- Roteiro
A tarefa de colocar em palavras a ideia proposta pelo grupo, ficou à cargo de Augusto Brasil e Gabriel Felipe. Foram três as versões até chegarem a versão final do roteiro. O processo durou cerca de um mês e meio entre correções, orientações dos professores, reuniões do grupo e aprovação final. A fotonovela que inicialmente contava com quarenta cenas, passou a ter apenas dezesseis, mas que se mostraram suficientes para contar o drama de ''A Última Hora''.
- Fotoboard
Próxima parada: IGARAPÉ!
sábado, 11 de abril de 2015
Criando nossa fotonovela
Quando surgiu o desafio de criar uma fotonovela partindo do tema ''Cenários Brasileiros'', resolvemos fazer uma tempestade de ideias. Cada um com seu subtema em mente, reunimos para discutir as possibilidades de execução, até chegar num denominador comum. Dentre as muitas opções que nos foram apresentadas, a que mais se adequou ao gosto coletivo, foi a ''Crise Hídrica''. Um assunto bem discutido nos últimos tempos, devido a crise sofrida numa das maiores capitais do mundo, São Paulo, que abriu os olhos dos brasileiros sobre um problema que sempre existiu e foi comentado, mas nunca com a devida seriedade. Pegando esse gancho, nosso grupo decidiu usar a crise hídrica como pano de fundo da nossa história, e não como o conflito em si. O conflito parte dessa escassez, num futuro não muito distante, onde a água já virou moeda de troca e coloca em jogo muitos dos valores que a sociedade até então preza. A luta pela sobrevivência no cenário que sobrou, daquilo que um dia já foi uma civilização.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
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