segunda-feira, 22 de junho de 2015

Diários de Bordo - Minutos finais de ''A última Hora''

Nosso processo de pós-produção da fotonovela já está quase chegando ao fim. Falta bem pouco para que a nossa história ganha vida e formato. Nesses minutos finais de ''A Última Hora'', vocês vão conhecer como foi para cada integrante da equipe, desempenhar sua determinada função. 

AUGUSTO BRASIL: ROTEIRO E DIREÇÃO
Quando proposto o TIDIR II imediatamente me veio a mente a questão da crise hídrica pela qual estamos passando. Muito me impressiona que poucas pessoas têm se interessado pelo assunto, uma vez que sem água nada somos. Por isso escolhi escrever um roteiro que nos chame para refletir sobre essa questão.
Com o intuito de provocar essa discussão, procurei criar uma história que causasse impacto, por isso a situação do êxodo. As pessoas se encontram em um futuro distópico, onde não há mais volta, a solução mais viável é deixar tudo para trás e procurar outro lugar para viver.Enquanto escrevíamos percebemos que a crise hídrica acabou servindo de pano de fundo para discutir questões éticas e sociais que é claro estão atreladas à crise. O roteiro foi estruturado de maneira a apresentar esses desafios ao longo da jornada das duas irmãs. Problemas como os perigos encontrados no meio da estrada, a falta de água e dilemas sociais foram abordados no roteiro. Todos é claro, oriundos da crise.
Idealizei a história com base em filmes como Vidas secas de Nelson Pereira dos Santos. Procurei resgatar esse clima de busca pela sobrevivência. Em um primeiro momento, havia pensado somente na história, mas ainda não tinha em mente quais seriam os personagens que passariam por ela. Percebi que todos os outros integrantes do grupo haviam sugerido temas que tinham como protagonistas mulheres, e crianças em suas histórias. Notando isso, sugeri que as protagonistas de nossa história fossem duas irmãs. Como diretor e roteirista estreante descobri na prática o quão difícil são essas tarefas. Nem tudo o que idealizamos na hora em que escrevemos ou planejamos uma cena, pode ser executado quando chegamos a campo. É nesse momento que temos que ter jogo de cintura para driblar os imprevistos, e flexibilidade para aceitarmos ideias diferentes daquelas concebidas originalmente. Concluo dizendo que realizar essa fotonovela foi um grande desafio. Em primeiro lugar por estar estreando nessas duas funções, e em segundo por se tratar de um formato que não estou habituado a lidar. O mais próximo de uma fotonovela que tive contato foram os quadrinhos japoneses conhecidos como mangá. Muito pude aprender com esse trabalho interdisciplinar. 

HIGOR GOMES: DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA 
Enquanto o roteirista, Augusto, finalizava o roteiro, fomos fazer algumas visitas de set. Foram escolhidas as locações na cidade de Igarapé. Um dos diretores morou, e conhece muito bem a cidade, que tem uma aparência rural, ótima para o enredo da fotonovela. Fizemos esta visita de locação no dia 03 de maio. Fomos de carro, guiados por um dos diretores, o Zenner, que nos mostrou vários lugares bacanas em Igarapé. Não podíamos ter encontrado um lugar melhor. Neste dia olhamos com calma as residências e estradas em que nossas protagonistas passam boa parte da fotonovela. Além de conhecer as locações, decidimos que seriam necessários apenas 1 dia para fotografarmos todo o projeto. Iriamos cedo para usarmos o máximo de tempo a luz do sol. Pois, a maioria das cenas eram externas e a presença da luz do sol forte foi muito necessária para dar uma sensação de calor e desespero ao imaginarmos que as personagens não possuíam muita água. Ao termos o primeiro tratamento do roteiro, foi necessária uma decupagem. Junto aos diretores, decidimos fazer um fotoboard, ao invés de um storyboard. O fotoboard foi feito nos arredores da faculdade e no Parque Municipal, com membros da equipe. Fizemos metade em um dia que tivemos um horário vago, o restante foi produzido em um final de semana, no parque. Após o processo de pré-produção, foi agendado com todos que as fotografias seriam tiradas no dia 24 de maio, e assim aconteceu. Fomos para Igarapé, desta vez toda a equipe e também levando as atrizes. Uma parte da equipe foi de carro com as atrizes e a outra parte seguiu viagem de metro e van. Não usamos luz artificial em nenhuma das fotos. Foram utilizadas muitas locações distintas, e neste dia conseguimos produzir 95% das fotos. A luz do sol se foi e para aproveitarmos que estamos lá, matamos uma noturna que o diretor resolveu fazer para usarmos uma fogueira. Na semana seguinte, a equipe reduzida seguiu caminho para Igarapé e finalizou as fotos. O diretor, munido de sua câmera fotografou a sequência restante. Cerca de 300 fotos foram tiradas. 

NÍVIA LABIBE: DIREÇÃO DE ARTE
Após definido a estética que seria usada nas fotos, o trabalho da direção de arte iniciou com pesquisa de figurino. Nessas pesquisas não havia referencia de filmes distópicos brasileiros, o que foi um empecilho para base de nosso figurino.
Em conversa com o grupo decidimos qual seria nossa linha de criação para o figurino. Como o Brasil é um pais tropical e em consideração ao tema do nosso trabalho, foi acordado entre os integrantes que usaríamos roupas mais leves, mas que protegiam nossos personagens das mudanças climáticas, do sol e que fosse confortável em uma caminhada. Mas sem deixar de lado que seria um colapso social.
A partir dai, me perguntei: havia produção de roupas? Usaríamos tecidos tecnológicos? Enfim, como nossa fotonovela se passa em uma área rural e nossas personagens supostamente não tinham condições financeiras. Optei por roupas envelhecidas, sujas, proteção pra cabeça (chapéu e bandana), camisas de manga cumprida, por baixo camisetas, calça jeans, tênis e mochila. As cores foram definidas a partir do olhar semiótico, que, cores claras remetem ao bem. Tendo em vista que as cores das fotos seriam manipuladas, não pude usar três cores: azul, verde, amarelo. Por isso optei pelo branco, salmão, cinza e preto. Os objetos de cena como a cruz do tumulo, optamos por utilizar bambu, sendo um material fácil de encontrar na área rural, novamente levando em consideração que nossos personagens não teriam recurso pra comprar outro tipo de material. Os copos e talheres usados foram pensados o que seria mais resistente, por isso o alumínio. Quanto a maquiagem não foi necessária, pois queríamos uma aparência natural. O cabelo não precisou de muita alteração, pensando em que elas estariam sem banho, caminhando por vários dias. Optamos por cabelos presos. Contudo, o trabalho da direção de arte foi focado em figurino, levando em consideração todos os pontos citados acima. Não houve nenhuma restrição as peças escolhidas, Augusto e Zenner como diretores aprovaram, estando dentro do que eles imaginaram para os personagens.
E mais uma vez foi ótimo trabalhar com essa equipe. Temos nossas divergências, mas, sempre nos entendemos, e o trabalho final sempre fica melhor que o esperado. 

ZENNER HENRIQUES: DIREÇÃO E DIAGRAMAÇÃO
Já com o roteiro em mãos, Augusto e eu começamos a pensar nos planos. Pegamos algumas revistas, foto novela/HQ para servir de inspirações para os planos, e também na narrativa.  No dia 03 de maio fomos igarapé, cidade onde cresci, para olharmos algumas ideias que tinha em mente sobre as locações. Mesmo não estando no nível de seca apropriado, tínhamos espaços rurais e estradas de terra, congruentes com o plano de fundo da historia. Depois da ida a igarapé, terminamos por concluir vários planos da historia e também o fotoboard. Fomos influenciados pelo cenário na criação de outros planos pensados anteriormente por isso finalizamos parte do roteiro e fotoboard depois que visitamos as locações. No dia da gravação, 24 de maio, seguimos para as locações estrategicamente traçadas em um plano de “filmagem” que continha a ordem do dia o roteiro o fotoboard e um mapa, para programar melhor a logística das cenas. Tivemos um importuno quando uma das locações “caiu” (a casa que elas encontram um corpo) tivemos que imediatamente mudar para outro local, e pensar nos planos que funcionariam naquela casa. Devido a esse atraso, ao final do dia faltou fotografar uma cena apenas, mas precisávamos de sol para tal. Então reduzimos a equipe e fotografamos essa sequencia final em outro dia. Após o tratamento das fotos, foi à vez da diagramação. Se em filmes dizem que é na sala de edição que eles nascem, em foto novela diria o mesmo. Como fiz parte do processo de direção, tinha em mente algumas cosias diferentes do que foram na versão final da diagramação. Nesse processo são integrados vários elementos como os balões de fala, de narração e a disposição dos quadros. Elementos esses que compõe a narrativa e a compreensão da foto novela. Na diagramação também foi pensado o estilo visual dos quadros e balões. A escolha por um fundo mais seco e as fotos e balões com pontas quebradiças e sujas, fazem parte do visual pensado no roteiro, direção de arte, figurino e fotografia.

LEANDRO AUGUSTO: DIREÇÃO DE PRODUÇÃO
Quando escolhemos o tema pensei logo em algo que eu poderia fazer pelo projeto, mas percebi que os meus colegas tinham ideias mais maduras para que pudessemos ter o resultado esperado. A partir dessa percepção resolvi escolher a produção. Eu queria ser aquele que botasse a mão na massa para que eles conseguissem o que fosse preciso para tudo acontecer da melhor forma possível.
O nosso maior desafio foi o roteiro, logo usamos muito do nosso tempo para produzí-lo, o que atrasou um pouco o orçamento do nosso projeto. Ainda assim a primeira coisa que fiz foi construir uma planilha com a estimativa de todos os gastos e esclarecimento de dados: Cronograma e funções, preços de alimentação, figurino, transporte, impressão, informação sobre os atores e equipamentos, para que pudessemos seguir com os procedimentos.
Estive presente em quase todas as decisões. Primeiramente, sempre me atualizava sobre o roteiro, feito pelo Augusto e Gabriel, me certificando de que tudo o que nele continha fosse acessível. Após a finalização deste, segui com parte da equipe para análise de planos e locações em Igarapé. Ficamos uma tarde toda decidindo quais seriam, para que mais tarde eu pudesse fazer um mapeamento e construir o roteiro de fotografia, o qual seguiriamos no dia de fazer as fotos. Higor ficou responsável pela Direção de Fotografia, que foi muito bem executada. Gabriel ficou responsável pelas postagens do blog, que foram feitas com objetividade e dentro do praso estipulado. Rafael ficou responsável pela pesquisa teórica, a qual realizou a primeira parte, mas teve que se afastar por motivos pessoais, sendo substituido na tarefa por mim e Augusto. Zenner e Augusto pela direção impecável e Nívia pela direção de arte e atores. Houve um atraso dessa função, o que nos levou a ter que adiar as fotos para uma semana depois da data prevista. Apesar do incidente, foi bem exercida. Os figurinos foram muito bem trabalhados dentro do nosso conceito e os atores se encaixaram perfeitamente dentro dos papeis.
Após termos tudo pronto, fomos fotografar no Domingo (24 de Junho). Houve uma falha da minha parte na questão de horários e transporte de alguns membros da equipe, o que resultou em um atraso de duas horas. O restante da equipe, transportada de carro pelo Zenner, foi pontual. Não conseguimos fotografar todas as sequências, pelo atraso do horário, por uma “queda de locação” e perda da luz do sol ao anoitecer, apesar de termos seguido o roteiro feito e ordem do dia. Decidimos então voltar no final de semana seguinte, no qual terminamos todo o processo de captação das imagens.
A pós-produção foi feita em duas etapas: Primeiro as fotos foram tratadas pelo Augusto e logo após diagramadas pelo Zenner. Essa etapa levou um pouco mais de tempo do que o esperado, mas foi realizada com muita dedicação.
Como continuamos com a mesma equipe do semestre passado, senti um amadurecimento em cada um nela presente. Fizemos um ótimo trabalho, até melhor do que esperávamos, mas aponto que precisamos de mais organização! Ser Diretor de Produção foi um desafio. Não fiquei cem por cento satisfeito com o meu trabalho, mas sinto que consegui guiar o trabalho em uma direção na qual ele funcionasse e, de fato, funcionou.
Queria finalizar o relatório agradecendo a participação do Rafael em nosso trabalho, que fez o possível para que sua função fosse bem realizada. O trabalho leva seu nome e sua dedicação, portanto não esqueceremos disso. Agradeço também ao Zenner pela total parceria na produção, que nos guiou todo o tempo dentro de Igarapé e foi responsável pelo transporte de parte da equipe e do elenco de Belo Horizonte até as locações. Muito obrigado! Aos atores e atrizes que toparam fazer parte do nosso projeto e deram um show de atuação nas fotos. Não poderia ser melhor sem eles. Muito obrigado! E por último, porém não menos importante, aos pais do Zenner, Jair e Nilce, por providenciarem um maravilhoso café da manhã e almoço para nossa equipe. Nosso trabalho também é de vocês, para vocês. Mais uma vez o meu muito obrigado! 

GABRIEL FELIPE: AUXILIO NO ROTEIRO E MÍDIA SOCIAL
A partir do momento em que foram designadas as funções de cada membro de equipe, optei por auxiliar o Augusto Brasil na elaboração do roteiro e por ser responsável por todo conteúdo disponibilizado no blog ‘’A Última Hora’’. A tarefa mais difícil no processo do roteiro foi chegar a comum acordo sobre o que de fato conduziria a história. A crise hídrica passou a ser pano de fundo para o drama e o conflito em si passou a ser a questão moral sobre as personagens. Foram várias as tentativas, até chegarmos à versão final, assinada por Augusto Brasil. Antes mesmo que o roteiro estivesse pronto, já havia iniciado o trabalho de mídia social no blog, tanto que o mesmo passou por alteração de nome quando de fato decidimos o título da fotonovela. Além as postagens pedidas pela orientadora Nelma, optei por desenvolver um conteúdo extra, mais leve e informal, que pudesse registrar essa nossa experiência de maneira gostosa de ler. Consegui concluir todas as postagens dentro do prazo estipulado, e sempre que possível, soltava uma nota sobre os bastidores da produção. Foi uma tarefa que gostei de ter feito, me senti tranquilo quanto ao conteúdo a ser postado, sempre da maneira mais descontraída possível. Espero ter concluído essa missão com êxito, o blog continuará disponibilizado para que sirva de recordação e também registro do nosso Tidir.

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Finalizo essa postagem agradecendo a todos os envolvidos nesse Tidir, que de alguma forma nos ajudaram e apoiaram para que esse trabalho fosse concluído. Gostaria de agradecer também ao companheiro Rafael da Cruz Cola, que infelizmente por motivos pessoais teve de deixar o curso, mas que durante o tempo que esteve presente, ajudou de forma ativa durante o Tidir e também na parte escrita do trabalho.

MUITO OBRIGADO!










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